Monday, October 31, 2005

Esse texto foi escrito em 2003

Planeta Terra

Se me perguntarem um dia de onde eu sou, digo que sou do Planeta Terra, e daí eu pensarei, é mesmo, sou do planeta terra, o Brasil apenas é uma divisão dele, mas espera um pouco, é tudo a mesma coisa certo? Estamos todos nós, do mundo inteiro em cima do mesmo chão, feitos da mesma carne, então porque ficamos em lugares diferentes e com regras diferentes? Não deveríamos ter todos a mesma regra? Vivermos todos da mesma maneira, sem fronteiras?

Ai penso, como eu gosto do meu bairro, me sinto em casa, defendo com unhas e dentes, como eu amo minha cidade, até entro naquelas discussões bobas e divertidas sobre Rio/ São Paulo, mas volta a idéia, não somos todos iguais? Pequenos preconceitos, idéias enraizadas em nossa mente, onde paramos para discutir onde é melhor e onde é pior.

Acontece que desde que nascemos fomos acostumados com isso, esse bairrismo, esse apego, e não percebemos que naturalmente a Terra é de todo mundo, e na verdade tudo teria que ser dividido irmanamente, claro que isso é um tanto quanto utópico, acho que não precisamos começar um socialismo imediatamente, e tão pouco defender o comunismo.

Acho que se você tem essa idéia dentro de si, já é um começo, na verdade todas as outras idéias descendem desta primeira, que é sempre lembrar que estamos num planeta único, que foi dado igualmente a todos, então não é lógico que tenhamos direitos tão diferentes sobre ele. Exercendo cidadania, respeitando as pessoas como você respeitaria a si mesmo, detalhes que no dia a dia fogem da nossa percepção, pequenas coisas, que se todos nós fizermos, como formiguinhas, alcançaremos primeiramente o respeito, o amor, a compreensão e enfim a paz.

Sempre quando ouço a música do John Lennon, Imagine, penso exatamente no que ele disse, como seria o mundo todo vivendo em paz? Imagine não termos países, não termos fronteiras, que nunca tivéssemos que lutar ou morrer por nada, imagine um mundo sem religião, onde ninguém fosse manipulado pela fé, onde ninguém tivesse posses, e tudo fosse de todos.

Você consegue parar e imaginar tudo isso? Talvez saíssemos do inferno e neste momento iríamos para o céu, mesmo estando na terra, todos nós abaixo do mesmo céu e sobre o mesmo chão. Imagine mesmo, de verdade, como seria o mundo, todos irmãos, de fato, onde não precisasse de dinheiro, onde não haveriam guerras por causa de petróleo, onde não haveria fome e nem violência, pois todos nós teríamos os mesmos deveres, os mesmos direitos.

Mas como disse o Lennon, eu sei, eu sou uma sonhadora, mas talvez, eu não seja a única, eu espero que um dia todos nós possamos viver em um único mundo.

Café

Dia desses, um amigão meu chamou-me pra um café, mas não qualquer café, um Café Suplicy.
Combinamos no local, ele já me esperava, apenas uns 5 minutos atrasada, havia uma fila gigante, ele estava sentado, me viu, ele escrevia um torpedo e dizia é pra você, e agora espera...Risos.

Aguardei o torpedo, e assim que tocou o “plim” do meu celular, abri imediatamente (mas isso é segredo!). Cavalheiro, ele se levantou e foi até a fila, onde perguntou o que eu queria e eu que não sou a maior fã de café (chego a ficar meses sem um) pedi um Mocha (claro não sem antes dar um fora e dizer “moxa”, mesmo tendo sobrenome italiano). Ele ainda foi fofo e trouxe um maravilhoso muffin de chocolate.

Comentários a parte, comecei a reparar que as pessoas que estavam lá eram todas “cool”, não era mais um simples café, eu fazia parte de um público moderninho, que não tomava cafés comuns no Fran´s, todo mundo era muito legal, muito moderno, intelectuais.

Saímos de lá e começamos a andar pela rua, falando sobre aquilo, poxa, como as pessoas têm que vestir uma máscara para se adaptar ao local onde estão, ou o contrário, querem fazer parte de um mundo. Mas será que é tão dificil ser nós mesmos? Será que se eu tivesse ido à fila e pedido um Moxa as pessoas teriam rido da minha cara? E se rissem? Perderia meus méritos? Deixaria de ser eu mesma, deixaria de pagar as minhas contas?

Aquilo não passou batido por mim, e comecei a questionar se eu mesma não costumava fazer aquilo sem perceber, como me vestir melhor pra comprar no Iguatemi, mesmo que seja uma havaianna, ou qualquer coisa do gênero, o meu questionamento era, será que conseguimos viver sem pensar no que os outros pensam de nós? Sermos espontâneos é muito difícil?

E é engraçado, pensamos tanto no que os outros vão pensar e não reparamos que as pessoas que mais gostamos não estão nem aí com isso.

Será que eu sou espontânea?