Wednesday, April 26, 2006

Jogando paciência


Ultimamente tenho jogado muito aquele jogo de cartas chamado paciência. Descobri que ele funciona meio parecido com a vida.

Cada cartada faz diferença, só que nunca sabemos qual diferença fará, às vezes temos mais de uma escolha, e aparentemente elas são iguais, só que no futuro descobrimos que escolhemos errado.

Às vezes jogamos sem pensar muito e tudo flui, às vezes analisamos todos os aspectos e descobrimos que podemos ganhar, às vezes fazemos exatamente a mesma coisa que já fizemos corretamente no passado, mas desta vez dá errado.

Ou seja, tudo é muito parecido com as escolhas que temos na vida, nem sempre sabemos que caminho tomar, nem sempre sabemos as conseqüências de nossas escolhas, não sabemos que carta aparecerá ao retirarmos a carta do monte, o que poderá mudar o jogo, o que deixará o jogo igual ou fará com que a gente perca o jogo.

E finalmente parece que estamos ganhando, faltam apenas três cartas e pronto...O jogo trava e não conseguimos ganhar. Ou aquele jogo que parecia impossível, parece começar a dar certo.

A vida é assim, não existem regras, não existem respostas, e não saberemos se o caminho que escolhemos será o melhor. Mas existe uma única diferença, viver com amor, o amor fará diferença, você pode perder ou ganhar no final, mas tenha certeza, sua existência será muito melhor, e as lembranças e os seus ensinamentos ficarão na história das pessoas que lhe rodearam.

Monday, February 27, 2006

Comunicando

Eu fiz faculdade de Comunicação Social, lá a gente aprende tudo sobre comunicação, mensagem, receptor, interlocutor, já nem me lembro mais, mas o fato é que ficamos craques em nos comunicar.

Só que naquela época, não existia mensagens de celular, Messenger, Orkut, pouco existia de Internet e emails, e como percebo que a comunicação é algo infinito.

Pra começar, você já percebeu que em cada um desses meios de comunicação escrevemos ou falamos de maneira diferente? No Orkut mandamos recado, e dependendo da idade, existe um vocabulário completamente novo, fora as abreviações que vieram do Messenger, como vc, td, ok, tb, bjos, existe realmente uma nova linguagem feita por adolescentes, foram formados de acordo com a fonética, e com a intenção de não se usar acentos, agilizando o processo de digitação. Sla, naum, vlw, toh, ak, respondi; e por aí vai, como uma tia velha, fico perplexa, penso, será que essa criançada saberá escrever corretamente? Porque isso já não é mais abreviação, é uma outra língua, mal consigo entendê-la!

Mas, caso a parte, percebo que em cada um desses meios, nós “adultos” escrevemos diferente, não na escrita em si, mas a maneira como falamos, no Messenger, falamos com menos censura do que falaríamos ao telefone, talvez porque não sentimos tanto a outra pessoa, talvez porque escrever seja mais fácil do que falar, e até mais fácil do que um email, porque ele tem resposta rápida, e é interativo, e no email, você pensa antes de escrever, corrige, e no Messenger, tem alguém esperando.

Quando você manda um sms por celular, é outra forma ainda, você manda uma mensagem rápida, quase um aviso.

É muito engraçado, em cada lugar, um formato na sua comunicação, qual será a próxima?

Monday, January 23, 2006

Chorar de saudades


Você já chorou de saudades? Assim, um sentimento de falta, mas não ruim, apenas de muita saudade, daquela que vem lá do fundo, e que não tem controle?

Eu já tive até febre, uma vez fiquei um tempo longe da minha família, e no dia de voltar, não agüentava de saudades, queria chegar logo em casa, dispensei até uma pizza, apenas para voltar pra perto deles, mas não sabia que a febre era um motivo que meu corpo dava pra eu chegar mais rápido ainda.

Eu sou a saudade em pessoa, meu sonho era que todo mundo que eu amo, ficasse perto de mim eternamente, não acho impossível, de alguma maneira conseguimos estar perto de quem amamos, nem que seja por pensamento, não importa o quão distante esta pessoa possa estar.

Tenho saudades do que eu nunca vivi, já ouvi essa frase numa música, e às vezes sinto isso, é tão gostoso, é uma sensação louca, confusa. Não que seja bom sentir falta, mas é bom saber que temos o que sentir falta, e que tem tanta coisa boa na nossa vida, porque afinal, se não houvesse, ela seria cinza e sem graça, e sem motivo algum para a saudade.

O melhor da saudade é podemos reviver qualquer momento a qualquer hora, basta lembrar, e sentir, sentir cada sensação das coisas boas que vivemos, de momentos únicos, de detalhes que só tem importância a nós mesmos...E que são tão bons.

Wednesday, January 04, 2006

Música

Eu amo música, adoro ouvir música o tempo todo, no carro, no computador, no banho, em qualquer lugar e em qualquer momento.

Música para mim faz com que eu viaje no tempo, é só ouvir uma música e consigo sentir ela entrando por mim, me levando a algum tempo que vivi, sinto as mesmas sensações, sinto viva toda a minha vida em alguns poucos minutos.

"Nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia", mas para mim música tem esse poder, de repetir sensações, de matar saudades de quem já não está entre a gente, de reviver sentimentos que foram tão bons.

Às vezes a letra da música nem tem a ver com o que estou sentindo, mas ela marca uma época, uma sensação, um sentimento, que ao ouvi-la se repete dentro de mim.

Chego a sentir o cheiro, a sensação que uma música pode trazer.

Dizem que a música é apenas auditiva, mas eu discordo, sou capaz de ouvir, sentir, ver, cheirar, ir além de todas as sensações.

Música é a maior viagem que alguém pode ter, viver o que você já viveu ou o que gostaria de viver.

Eu amo música.

Friday, November 11, 2005

Existe destino?


Essa é uma pergunta que fiz a vida inteira, mas nunca chegaremos a uma resposta, porque a vida sempre nos dá novas respostas, nada é exato, tudo é passível de mudança. E se temos o direito de escolha, como poderemos ter algo pré-determinado?

Imagine, todos os dias quando acordamos, escolhemos desde abrir ou não abrir os olhos, levantar-se, escolhemos o caminho do trabalho, escolhemos trabalhar ou ficar em casa, tudo tem no mínimo 50% de escolha, sim e não, no mínimo.

Pense na engrenagem de um relógio, uma trabalhando junto da outra, se houver apenas uma mínima modificação em uma delas, tudo muda, não tem jeito, é assim que funciona com as nossas escolhas, se escolhermos algo, por mais insignificante que possa parecer, toda a vida pode mudar, como se diz, em um piscar de olhos.

Então tudo em nossa vida tem o livre arbítrio, tem a escolha que quisermos, mas e onde está o famoso destino? Tendo este cenário, como pode caber um destino?

Por outro lado, impossível achar que não exista algo assim, algumas coisas acontecem em nossas vidas que não dá pra duvidar, que independem de nossas escolhas, mas seria muito estúpido achar que tudo está pré-determinado, afinal seríamos passivos pela vida, se tudo está determinado, não preciso escolher nada, tudo acontecerá, simples assim.

Como chegar num equilíbrio para esta dúvida? Foi quando li algo que me confortou, talvez não seja a resposta final, nem acho que seja, mas ajuda. Imagine uma viagem de férias, você escolhe para onde vai, quando, onde ficará e quanto tempo ficará. No dia de viajar, você decide parar no meio do caminho em outro lugar, e chega depois ou durante a viagem, você não gosta do lugar e volta antes, ou gosta e volta depois, ou acaba nem indo, porque seu trabalho o chamou antes. Tudo depende de o que você vai escolher, estava ali, tudo pré-determinado, mas suas escolhas mudaram tudo, ou não, você fez exatamente como o planejado.

Acho que é assim que o destino age em nossa vida, existem algumas coisas que são pré-determinadas, mas depende da sua escolha para elas acontecerem, e o tempo também, pode acontecer, antes, depois ou exatamente como planejado.

Só saberemos esta resposta no final de nossas vidas, isso se houver final, porque eu acredito que nossas almas são eternas.

Monday, October 31, 2005

Esse texto foi escrito em 2003

Planeta Terra

Se me perguntarem um dia de onde eu sou, digo que sou do Planeta Terra, e daí eu pensarei, é mesmo, sou do planeta terra, o Brasil apenas é uma divisão dele, mas espera um pouco, é tudo a mesma coisa certo? Estamos todos nós, do mundo inteiro em cima do mesmo chão, feitos da mesma carne, então porque ficamos em lugares diferentes e com regras diferentes? Não deveríamos ter todos a mesma regra? Vivermos todos da mesma maneira, sem fronteiras?

Ai penso, como eu gosto do meu bairro, me sinto em casa, defendo com unhas e dentes, como eu amo minha cidade, até entro naquelas discussões bobas e divertidas sobre Rio/ São Paulo, mas volta a idéia, não somos todos iguais? Pequenos preconceitos, idéias enraizadas em nossa mente, onde paramos para discutir onde é melhor e onde é pior.

Acontece que desde que nascemos fomos acostumados com isso, esse bairrismo, esse apego, e não percebemos que naturalmente a Terra é de todo mundo, e na verdade tudo teria que ser dividido irmanamente, claro que isso é um tanto quanto utópico, acho que não precisamos começar um socialismo imediatamente, e tão pouco defender o comunismo.

Acho que se você tem essa idéia dentro de si, já é um começo, na verdade todas as outras idéias descendem desta primeira, que é sempre lembrar que estamos num planeta único, que foi dado igualmente a todos, então não é lógico que tenhamos direitos tão diferentes sobre ele. Exercendo cidadania, respeitando as pessoas como você respeitaria a si mesmo, detalhes que no dia a dia fogem da nossa percepção, pequenas coisas, que se todos nós fizermos, como formiguinhas, alcançaremos primeiramente o respeito, o amor, a compreensão e enfim a paz.

Sempre quando ouço a música do John Lennon, Imagine, penso exatamente no que ele disse, como seria o mundo todo vivendo em paz? Imagine não termos países, não termos fronteiras, que nunca tivéssemos que lutar ou morrer por nada, imagine um mundo sem religião, onde ninguém fosse manipulado pela fé, onde ninguém tivesse posses, e tudo fosse de todos.

Você consegue parar e imaginar tudo isso? Talvez saíssemos do inferno e neste momento iríamos para o céu, mesmo estando na terra, todos nós abaixo do mesmo céu e sobre o mesmo chão. Imagine mesmo, de verdade, como seria o mundo, todos irmãos, de fato, onde não precisasse de dinheiro, onde não haveriam guerras por causa de petróleo, onde não haveria fome e nem violência, pois todos nós teríamos os mesmos deveres, os mesmos direitos.

Mas como disse o Lennon, eu sei, eu sou uma sonhadora, mas talvez, eu não seja a única, eu espero que um dia todos nós possamos viver em um único mundo.

Café

Dia desses, um amigão meu chamou-me pra um café, mas não qualquer café, um Café Suplicy.
Combinamos no local, ele já me esperava, apenas uns 5 minutos atrasada, havia uma fila gigante, ele estava sentado, me viu, ele escrevia um torpedo e dizia é pra você, e agora espera...Risos.

Aguardei o torpedo, e assim que tocou o “plim” do meu celular, abri imediatamente (mas isso é segredo!). Cavalheiro, ele se levantou e foi até a fila, onde perguntou o que eu queria e eu que não sou a maior fã de café (chego a ficar meses sem um) pedi um Mocha (claro não sem antes dar um fora e dizer “moxa”, mesmo tendo sobrenome italiano). Ele ainda foi fofo e trouxe um maravilhoso muffin de chocolate.

Comentários a parte, comecei a reparar que as pessoas que estavam lá eram todas “cool”, não era mais um simples café, eu fazia parte de um público moderninho, que não tomava cafés comuns no Fran´s, todo mundo era muito legal, muito moderno, intelectuais.

Saímos de lá e começamos a andar pela rua, falando sobre aquilo, poxa, como as pessoas têm que vestir uma máscara para se adaptar ao local onde estão, ou o contrário, querem fazer parte de um mundo. Mas será que é tão dificil ser nós mesmos? Será que se eu tivesse ido à fila e pedido um Moxa as pessoas teriam rido da minha cara? E se rissem? Perderia meus méritos? Deixaria de ser eu mesma, deixaria de pagar as minhas contas?

Aquilo não passou batido por mim, e comecei a questionar se eu mesma não costumava fazer aquilo sem perceber, como me vestir melhor pra comprar no Iguatemi, mesmo que seja uma havaianna, ou qualquer coisa do gênero, o meu questionamento era, será que conseguimos viver sem pensar no que os outros pensam de nós? Sermos espontâneos é muito difícil?

E é engraçado, pensamos tanto no que os outros vão pensar e não reparamos que as pessoas que mais gostamos não estão nem aí com isso.

Será que eu sou espontânea?